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Mesmo que saibamos que todos morreremos um dia, o crepúsculo de uma vida não costuma ser assunto abordado à mesa nos almoços de domingo, em família. Para a médica geriatra Ana Claudia de Lima Quintana Arantes, essa conversa, de cujo assunto muitos têm medo, ao contrário, deveria ganhar mais espaço em nosso dia a dia.

“Todos querem viver mais de 85 anos. Mas você sabia que, depois dessa idade, as chances de termos Mal de Alzheimer são de 50%? É como par ou ímpar”, disse ela, no último dia 14 de novembro, em uma palestra promovida no auditório da Faculdade da Serra Gaúcha, em Caxias do Sul, a partir de uma parceria entre a Unimed Nordeste-RS e o Sescoop/RS.

Ao longo de duas horas de uma apresentação em voz baixa e em uma suavidade que parecia deixar o mote do evento mais leve, a palestrante tomou a atenção de dezenas de pessoas da plateia, formada por clientes da Unimed Nordeste-RS, médicos cooperados, funcionários da cooperativa, estudantes e público em geral. Em silêncio, na noite de uma véspera de feriado, foi possível dar a mão a Ana para ser levado a um ambiente de que muitos preferem ficar distantes – mas que, mais cedo ou mais tarde, virá à tona na vida de quem, um dia, vai morrer.

 “Eu vejo as coisas de um jeito que a maioria não se permite ver. Mas tenho tido várias oportunidades de capturar a atenção de pessoas interessadas em mudar de posição, de ponto de vista. Algumas apenas podem mudar, outras precisam; o que nos une é o querer. Desejar ver a vida de outra forma, seguir outro caminho, pois a vida é breve e precisa de valor, sentido e significado. E a morte é um excelente motivo para buscar um novo olhar para a vida”, diz Ana em seu mais recente livro, intitulado “A morte é um dia que vale a pena viver”.

A sabedoria da obra, lançada em 2016, é dedicada aos maiores mestres desta médica que se autointitula uma profissional que cuida de pessoas que morrem: “as pessoas que cuidei e seus familiares”.


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